Carlos Galvani - Grande Mestre Estadual do Paraná
Publicado em 31 de Maio de 2016
Foto: Acervo pessoal
Em meio a uma tragédia, com o falecimento precoce de dois jovens em um acidente de carro (veja aqui), a Ordem DeMolay do Paraná vivenciou o luto e também a solidariedade proporcionada pela Ordem DeMolay e pela Maçonaria. “Simplesmente fantástica a união de todos”, resume o Grande Mestre Estadual do Paraná, Carlos Galvani, que coordenou uma campanha responsável por arrecadar R$ 54.783,24 para transladar o corpo de um dos jovens até Brejo Santo, no Ceará. “Não imaginávamos que chegaria a tanto. Contatei o Grande Mestre Estadual do Ceará e disse-lhe que completaríamos o que faltasse. Na oportunidade, o mesmo disse-me que também ajudaria. Em momento algum esperamos saber valores doados para fechar os serviços com a funerária, somente saberíamos os valores na segunda-feira próximo a hora do almoço”, explica Galvani. Em entrevista ao DeMolay Brasil, o Grande Mestre Estadual do Paraná falou também sobre o ato do Grande Oriente do Paraná, que reconhece apenas o Supremo Conselho da Ordem DeMolay para a República Federativa do Brasil como única organização legal e legítima a administrar a Ordem DeMolay e sobre a fórmula para a expansão das fileiras DeMolays paranaenses. Leia a entrevista completa!
 
Em meio a uma tragédia - o falecimento de dois jovens em um acidente automobilístico -, a Ordem DeMolay e a Maçonaria provaram que ainda existem pessoas solidárias. Como você avalia a resposta dos membros das duas ordens em uma situação tão delicada?
A demonstração de amor ao próximo foi surpreendente e rápida. Irmãos e sobrinhos de diversos estados do país me contataram; tivemos também a participação dos Clubes de Mães e amigos que, além do apoio financeiro, tiveram todo tempo junto aos sobrinhos e familiares dos sobrinhos Álvaro e Eduardo, demonstrando que não existe Potência Maçônica para prática do bem comum. Estiveram no velório os três Grão-Mestres das três Potências Maçônicas regulares, que não mediram esforços para colaborar com a arrecadação, demonstrando total apoio a Ordem DeMolay.
 
A notícia do acidente surpreendeu e chocou toda a Ordem DeMolay no Brasil. Foi difícil lidar com o momento de fragilidade das famílias e ainda assim conseguir mobilizar tanta gente?
O mais difícil foi contatar a família do Eduardo. A distância complica muito. Tínhamos apenas o contato da avó do sobrinho, mas não podíamos dar a notícia diretamente a ela. Precisamos contatar o Grande Mestre Estadual do Ceará, o irmão Leandro Feitosa, que passou o contato do Presidente do Conselho Consultivo do Capítulo Brejo Santo, o irmão Kleber, que tomou um grande baque, pois tinha o sobrinho Eduardo como um filho. O irmão Kleber colocou-nos em contato com tios do Eduardo em Embu das Artes (SP) e, enquanto isso, o irmão João Mario, Oficial Executivo da 1ª Região, foi contatar nosso irmão Álvaro, pai do sobrinho de mesmo nome. O corpo estava sendo levado para Ponta Grossa e nos encontrávamos ainda em Londrina. Fomos todos para a estrada. Contatamos o irmão Pietro em Ponta Grossa que foi cuidar da liberação dos corpos e acolher quem chegasse primeiro. Quando chegamos o irmão Álvaro e dois outros irmãos de Curitiba já tinham contratado uma funerária para buscar o corpo do sobrinho Álvaro e já tinham um orçamento inicial para o traslado do sobrinho Eduardo. Foi quando irmão João Mario teve a ideia de buscarmos doações para que a família do Eduardo nada gastasse. Contatou-nos também o irmão Lucas Carvalho, do Acre, que também soltou uma nota de doações. Deixamos claro ao tio do Eduardo, o João Leite, que eles nada gastariam, que o Grande Conselho Estadual do Paraná completaria o valor que faltasse. Passamos a negociar com a funerária, fechamos os valores e seguimos para Curitiba para acompanhar o sepultamento do sobrinho Álvaro. O desenrolar dos documentos necessários para o envio do corpo foi muito desgastante, conseguimos concluir a documentação as 13h30, quando o corpo saiu de Ponta Grossa para o aeroporto de Curitiba. Acompanhar o sofrimento dos pais, das tias e dos irmãos e de nossos sobrinhos foi muito difícil. A explosão de doações, o envolvimento da maçonaria, Capítulos DeMolays e Clubes de Mães foi fantástica, recebemos ligações de diversos estados. Simplesmente fantástica a união de todos.
 
Havia uma previsão de arrecadação com a campanha, porém superou as expectativas. Quanto foi doado e como vai ser o destino desses recursos?
Não imaginávamos que chegaria a tanto. Contatei o Grande Mestre Estadual do Ceará e disse-lhe que completaríamos o que faltasse. Na oportunidade, o mesmo disse-me que também ajudaria. Em momento algum esperamos saber valores doados para fechar os serviços com a funerária, somente saberíamos os valores na segunda-feira próximo a hora do almoço. A união propiciou arrecadação total de R$ 54.783,24. Desembolsamos o valor de R$ 8,5 mil com o deslocamento de Ponta Grossa (PR) até a cidade de Fortaleza (CE), e R$ 2,25 mil, de Fortaleza até a cidade de Brejo Santo (CE). Importante observar que um tio do sobrinho Eduardo doou R$ 250 diretamente a funerária, o que reduziu o orçamento inicial de R$ 2,5 mil. O restante, cujo saldo rendeu a importância de R$ 44.033,24 será repassado a Loja Maçônica Cavalheiros da Harmonia nº 59, do Oriente de Brejo Santo/CE, jurisdicionada a Grande Loja Maçônica do Estado do Ceará, que, através de uma comissão de irmãos, cuidará da aplicação do recurso frente a família.
 
Mudando de assunto, retornando ao dia-a-dia da Ordem DeMolay do Paraná (GOP). Recentemente o Grande Oriente do Paraná reconheceu o SCODRFB como única organização legal e legítima para administrar a Ordem no Brasil. Quais os impactos dessa decisão?
Além do Ato do GOP, tivemos a nomeação do irmão Giuseppe Leggi Junior, Past Grande Mestre Estadual, como representante do Grão-Mestre para assuntos da Ordem DeMolay e Membro do Ilustre Grande Conselho do GOP. Antes do ato, o irmão Giuseppe já começou visitar as Lojas patrocinadoras de Capítulos do outro Supremo Conselho e comunicando que teria um Ato do Grão Mestre se eles não se adequassem. Infelizmente, a resposta foi “Só mudamos com o ato”, e foi o que aconteceu. No Ato do GOP, foram dados 90 dias para os Capítulos que utilizam os templos do GOP se adequarem. Desta forma, deveremos ter a regularização ou filiação de aproximadamente 10 Capítulos nos próximos meses.
 
O Paraná possui referências nacionais de Capítulos e também de lideranças. Como ser um celeiro de bons exemplos?
Dividimos o estado em nove regiões, por enquanto, e em cada região temos um Mestre Conselheiro Regional e um Oficial Executivo. Desta forma, temos o estado presente quase que mensalmente em todos os Capítulos, acompanhamos assim a vida dos mesmos. Investimos na formação dos Mestres Conselheiros, Consultores e Presidentes de Conselhos Consultivos, cobramos resultados, cobramos cópia de atas de reuniões de Conselhos Consultivos e relatório de visitas dos Regionais. Nossos Mestres Conselheiros Estadual e Adjunto são bastante ativos, acompanham o dia a dia dos Capítulos, Castelos e Priorados do estado. Temos 36 Capítulos, cinco Priorados, três Castelos e uma Corte, o estado tem que ser presente. Aliado a tudo isso temos ainda os Clubes de Mães. Motivamos a instalação de Clubes de Mães e amigos no estado, comprovando que os Capítulos com Clube de Mães acabam mais fortalecidos, pois os integrantes dos Clubes são presentes nas atividades propostas pelos Capítulos. Criamos também o Conselho dos Past Grandes Mestres Estaduais, discutimos ações e os mesmos acabam contribuindo na aplicação dessas ações. A união de todos em prol de um objetivo comum, com muita humildade e sem vaidades fortalece a Ordem DeMolay no Estado.
 
Quais os grandes desafios da Ordem DeMolay no Paraná nos próximos meses?
O principal deles é deixar os Capítulos, Castelos, Priorados e Corte Chevalier de braços abertos para criar condições de acolher os Capítulos do antigo Supremo Conselho que deverão vir nos próximos dias, fazendo com que sejam bem acolhidos e que sintam uma efetiva melhora com a mudança, assim como foram recebidos os que já migraram. Criar um clima fraterno para já no Congresso Estadual em outubro estejam devidamente integrados e possam até contribuir para as atividades. Descobrir o potencial existente em cada sobrinho que virá não esquecendo dos que aqui estão.
 
O que ficou de lição dos últimos acontecimentos relacionados à Ordem DeMolay no Paraná?
Devemos dar continuidade ao trabalho até aqui executado, cada vez mais presente nos Capítulos, buscando conhecer o potencial de cada Sobrinho e investir nesse potencial. Investir na fundação de novos Clube de Mães e amigos e criar mais eventos que possibilitem maior integração dentro do estado fortalecendo ainda mais os laços entre os sobrinhos, os maçons e os Clube de Mães e amigos, ou seja, fortalecendo a família DeMolay paranaense.