Paulo Henrique Pereira, Grande Mestre Nacional Adjunto
Publicado em 29 de Maio de 2017
Foto: Acervo pessoal
Virtualmente eleito Grande Mestre Nacional – a contabilização dos votos ainda não aconteceu -, o atual Grande Mestre Nacional Adjunto, Paulo Henrique (PH) Pereira, admite que os desafios para a próxima administração não são pequenos. “De um lado, temos uma vertente que não abre mão da nossa tradição. De outro, temos a necessidade de modernizar ainda mais nossos processos”, cita PH, que já foi Grande Mestre Estadual no Pará e também Grande Secretário Nacional Adjunto. Do Pará, o Grande Mestre Nacional Adjunto trouxe a bagagem e a luta para acabar com o preconceito. “O sentimento que somos inferiores porque somos ‘do norte’ ou que não temos estudo e capacidade técnica para liderar vai cair por terra. Isso é promessa minha. Por bem ou por mal isso vai mudar!”, promete Pereira. E, para iniciar essa mudança, já apresenta alguns projetos com foco em “profissionalismo, transparência e capilaridade”. “Todos os nossos eixos temáticos tem um diretor como líder e condutor deste processo. Procurei colocar diretores que representassem todas as macrorregiões brasileiras”, ressalta. Leia a entrevista completa!
 
Apesar da votação não ter sido computada ainda, a chapa liderada por você pode ser considerada virtualmente eleita para a administração do SCODRFB. Quais os planos e projetos que devem ser implantados nos próximos meses? Imagino que você deva ter algum foco, algo que deseje dar uma atenção prioritária para a administração. Qual será ele e como funcionará sua atuação?
Estamos dividindo a gestão em três pilares com vários focos temáticos: profissionalismo, transparência e capilaridade. A maior parte dos projetos será distribuída nestes quesitos. Acredito que um Plano de Governo seja dinâmico e amplamente discutido antes de ser colocado em prática. Esse é o motivo de tanto “suspense". Acredito que, com a participação de todos, conseguiremos construir o Supremo Conselho que queremos. No item profissionalismo, estamos discutindo uma forma de agilizar todos os processos dentro do Supremo Conselho. A equipe de TI [tecnologia da informação] está organizando o SISDM de forma que todos possam acompanhar os processos em tempo real e recebendo notificações sobre o andamento dos trabalhos. Nosso plano é reduzir em 1/3 o tempo de espera de carteirinhas e diplomas, por exemplo. Vamos implementar também um Plano de Cargos e Carreira para os funcionários. Precisamos de funcionários que permaneçam mais tempo na instituição. Nossa rotatividade ainda é alta e isso precisa melhorar bastante. Somente com funcionários bem treinados e uma equipe coesa é que poderemos sonhar com avanços maiores. Em meados de outubro, lançaremos um Treinamento de Consultores. Prática comum nos Estados Unidos, iremos treinar nossos membros de Conselho Consultivo para que gerenciem melhor os Capítulos juntamente com os Mestres Conselheiros. Contratamos um coach que irá supervisionar os trabalhos dos estados e premiaremos os estados que tiverem melhor desempenho.
 
As mudanças afetam o DeMolay Shop?
No DeMolay Shop, iremos implantar um sistema de gerenciamento de empresas e desta forma reduzir custos no processo como um tudo. Reduzindo estes custos, poderemos trabalhar melhor duas grandes críticas que temos: qualidade e preço. Acredito que já avançamos bastante, mas ainda podemos melhorar. Para se ter uma ideia, fomos pioneiros na distribuição de lucros no e-commerce. Na época, fomos chamados de “loucos”, mas entendo que uma empresa como o DeMolay Shop também precisa ter uma função social. O problema é que só se consegue ter uma função social, uma empresa “enxuta” e bem gerida… Esse é o grande desafio.
 
O Supremo Conselho pretende ampliar a questão da transparência?
Avançamos muito neste quesito nos últimos anos. Entendo que devemos avançar ainda mais. Sempre digo que não existe caixa preta no Supremo Conselho.          Prova disso é que estamos lançando uma espécie de versão pública do nosso Portal de Transparência. Desta forma, todo DeMolay brasileiro vai poder ter mais acesso a este tipo de informação. Por óbvio, os estados também terão esta ferramenta para fazer o mesmo se quiserem. Este ano, estamos enviando com 30 dias de antecedência a nossa previsão orçamentária para que possamos discutir os pontos a serem ajustados. Também pela primeira vez, a prestação de contas do DeMolay Shop será feito em separado. Precisamos separar para entender e melhorar ainda mais.
 
Você citou capilaridade como um dos pilares da administração. Poderia explicar um pouco mais?
Percebemos, ao longo do nosso trabalho, que os DeMolays de áreas mais distantes ainda se sentem “fora” do sistema. Muitos dos nossos projetos não são tão bem difundidos e isso implica em queda nas nossas metas de acesso. Estamos preparando um aplicativo que irá associar o dia a dia do DeMolay ao SISDM. Há algum tempo, lançamos uma versão de testes para entender o que nosso público queria… Aprendemos e agora podemos investir nisso sem medo. Não era o momento de um investimento vultoso em uma tecnologia que ainda não sabíamos se teria aceitação. Precisamos ter cuidado com os gastos. Precisamos que nossos diretores estejam mais próximos da “base”. Em breve, vamos lançar o projeto “Café com o Grande Mestre”. Seria uma reunião mensal, livre, entre qualquer DeMolay regular no Brasil e a diretoria do Supremo Conselho. Um dos outros projetos neste sentido é o Serviço de Atendimento ao Usuário [SAL], uma versão do Help Desk para que qualquer DeMolay possa tirar dúvidas e conversar com os membros das Comissões.
 
Existem outros projetos?
Por enquanto, não podemos detalhar muita coisa. Mas ainda tem outras ideias para serem lançadas ao longo dos primeiros meses da administração. Posso citar o “Lâmpadas do Conhecimento”, o “Dia “D”DeMolay”, uma campanha de recrutamento, o banco de empregos, o DeMolay Empreendedor, um Código Eleitoral DeMolay, a reformulação dos Clubes de Mães, novos cerimoniais públicos, o Museu DeMolay, o Centenário da Ordem DeMolay e o programa “Meu ritual”. Porém vou deixar os leitores com um pouco de curiosidade. (risos)
 
Assim como o restante da sociedade, a Ordem DeMolay vive em constante transformação. Como seguir com a modernização e manter a tradição simultaneamente?
Aí está o grande desafio. De um lado, temos uma vertente que não abre mão da nossa tradição. De outro, temos a necessidade de modernizar ainda mais nossos processos. A meta é que, até o fim do ano, 100% dos documentos sejam feitos direto em sistema, sem a necessidade do envio de correspondência, por exemplo. A princípio, pode-se pensar que isso traria um custo muito alto com esta modernização. Mas isso se paga com a redução de outras assinaturas e redução do “retrabalho”.
               
Os integrantes da diretoria liderada por você possuem perfis distintos. Como aproveitar as aptidões de cada um para conseguir o melhor para a administração?
Procurei os melhores Past Grandes Mestres Estaduais do Brasil para me ajudar. É lógico que existem critérios políticos e lideranças que precisam ser ouvidas. Meu objetivo é que cada um dos diretores pudesse tocar um projeto específico. Hoje, o Supremo Conselho cresceu tanto que não podemos mais governar sem dividir tarefas. Todos os nossos eixos temáticos tem um diretor como líder e condutor deste processo. Procurei colocar diretores que representassem todas as macrorregiões brasileiras. Temos lideranças do Norte, Nordeste, Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Por incrível que pareça, estas regiões, mesmo tendo a mesma Ordem DeMolay, possuem diferenças que só quem vive nelas sabe. E neste caso vai nos ajudar a acertar mais. Outro ponto importante são as Comissões Nacionais. Precisamos que elas realmente funcionem! Estamos montando um grupo coeso de pessoas que possa conduzir vários projetos ao mesmo tempo. Afinal de contas. Tem trabalho pra todo mundo.
 
Ser o primeiro Grande Mestre Nacional da região Norte do país sinaliza que a Ordem DeMolay no Brasil dá espaços para minimizar os efeitos das diferenças regionais do Brasil?
Acredito que sim. Luto que isso seja uma verdade. Infelizmente, o racismo e o pensamento de que temos vários “Brasis” dentro de um só ainda persiste em nosso meio. O sentimento que somos inferiores porque somos “do norte” ou que não temos estudo e capacidade técnica para liderar vai cair por terra. Isso é promessa minha. Por bem ou por mal isso vai mudar! Independente se temos estados maiores ou menores, todos precisam ser respeitados. Todos podem contribuir em algo. Como dizem os juristas: os iguais precisam ser para dar. Não somos todos Irmãos? Se somos, me ajudem a liderar vocês! É o que sempre digo. Entendo que todas as regiões, mesmo estando em diferentes graus de desenvolvimento, contam com uma face da Ordem DeMolay que não pode ser desmerecida. O bom de liderar um país tão grande é que podemos unir estas forças e prol de um único objetivo. Temos o Centenário da Ordem DeMolay pela frente. Precisamos mostrar ao mundo que somos fortes porque somos diferentes. Essa diferença é que nos faz lutar tanto.
 
Ter ocupado a função de Grande Secretário de Relações Exteriores de uma Grande Loja vai auxiliar na aproximação permanente do Supremo Conselho das Potências Maçônicas?
Vai sim. Venho de um estado em que a relação com outras potências não é tão boa. Acredito que o diálogo e o tempo pode mudar isso. Pelo cargo que ocupo no meu estado, tive a oportunidade de conhecer a maçonaria de vários países e isso acaba sendo um diferencial positivo na minha abordagem. É lógico que possuo um “grupo” que me apoia. Fui Venerável Mestre e consigo transitar bem por este meio. Mesmo com estas situações, conversei com meu Grão-Mestre sobre a necessidade de apoio e de contato com diferentes líderes. Não podemos misturar as coisas. Temos que somar sempre. Neste sentido, os líderes maçônicos que me apoiam estão muito bem fiéis a este pensamento. Jogo aberto sempre. A Ordem DeMolay não tem potência. Temos vários casos inclusive de Capítulos que são patrocinados por lojas das três potências e isso ainda é usado com exemplo para o resto do Brasil.
 
Isso inclui investir nas relações institucionais?
Lógico. Procurei montar a Comissão de Relações Institucionais com pessoas de diferentes segmentos dentro da maçonaria. A ideia é agregar sempre. Hoje, inclusive, temos na diretoria e Comissões, membros de Grande Loja, Grande Oriente e Grande Oriente Independente. Todos trabalhando juntos. Particularmente fui um dos líderes na gestão atual na aproximação maior com a secção maçônica que cuida do Real Arco Americano, York e Shriners. Acho que uma parceria como esta pode ser aprimorada ainda mais no futuro. Meu objetivo é fazer uma visita formal a todos os líderes de Potências Maçônicas em breve para poder me apresentar e verificar o que pode ser melhorado no nosso trabalho. A prática disso é o nosso CNOD. Aqui no Pará já temos lideranças maçônicas de várias potências e estados confirmados no evento. A Conferência de Grão-Mestres, iniciativa que tomamos em São Paulo, vai se repetir aqui e se Deus permitir, sendo bastante produtivo.