Pará tem seu primeiro membro da Legião de Honra Ativo
Foto: José Carlos Couto/ Jornal Tribuna Maçônica
Fonte: José Carlos Couto/ Jornal Tribuna Maçônica

O Sênior DeMolay Patrick Roberto Guido foi investido no dia 8 de novembro, data que rememora a morte do fundador da Ordem DeMolay, Frank Sherman Land, à Legião de Honra Ativa. Com isso, o jornalista de 35 anos, membro do Capítulo Pedro Marinho de Oliveira nº 220, se tornou o primeiro o primeiro legionário ativo em 30 anos da instituição no Pará. A cerimônia aconteceu em meio à programação do Encontro Anual da Corte de Chevalier Carlos Alberto Sampaio dos Santos nº 77.

A cerimônia aconteceu no templo da Loja Maçônica Pioneira da Transamazônica nº 44, em Marabá, e contou com a presença dos maçons das lojas Firmeza e Humanidade Marabaense, Trabalho e Silêncio e da própria Pioneira. A Grande Loja Maçônica do Pará (GLEPA) foi representada pelo delegado distrital Paschoal Oliveira.
Também presentes na ocasião, o Grande Mestre Estadual, Edrian Biagi, e os também membros do Grande Conselho Estadual, Ivo Moacir Simões e Pedro Ermita, mais o Presidente do Conselho Consultivo, Paulo Bosco Jadão. Da parte do Supremo Conselho da Ordem DeMolay para a República Federativa do Brasil, quem presidiu a cerimônia como Grande Comendador do Leste foi o Grande Secretário Nacional Adjunto, Paulo Henrique de Ataíde.

Trabalharam na ocasião, os Chevaliers Humberto Spíndola (Past Mestre Conselheiro Nacional Adjunto), Ulysses Noblath, Cristiano Oliveira, Carlos Henrique Meneses e Evandro Júnior. Todos os jovens que compõem o capítulo de origem do homenageado, o Pedro Marinho de Oliveira, participaram e comemoraram que um de seus membros – Patrick está lá desde os 15 anos –, tenha alcançado esse patamar quando completa 20 anos de ordem.
 
Discurso do legionário
Leia o discurso do tio Patrick Roberto Guido em 8 de novembro de 2014, ao se tornar o primeiro legionário ativo do Pará:
 
Meus irmãos, convidados, família,

Hoje é certamente um grande dia da minha vida, uma data de felicidade infinita. E a vejo assim, não pela ótica da vaidade, mas pela visão que tenho da grande missão que assumimos. A Ordem DeMolay é o divisor de águas de minha vida. Dela, aliado às lições de fibra e honestidade que tive de meus pais, é que foi forjado o homem que sou hoje.

Ao mesmo tempo que assumi missões na minha vida adulta que ultrapassam em muito o simples fato de ter uma profissão e um emprego, mas sim uma responsabilidade para com a comunidade onde vivo e viverei o resto de minha vida, percebo que dela não tenho o direito, como jovem, temente a Deus, patriota, de deixar de ter o engajamento e a luta por dias melhores, seja com atuação política, militância social ou simplesmente sendo um cidadão cumpridor de meus deveres.

Estar em sociedade, compreendi há muito, é mais do que ir de casa pro trabalho, do trabalho pra casa. Temos um dever cidadão, que não é tolhido pelos pensamentos de muitos de que é melhor “deixar como está”. O comodismo é a maior expressão de nossas culpas para com o que está posto e também o fardo que nos torna tão piores ou inoperantes quanto os que tanto criticamos. A verdadeira mudança social, respeito às leis, seriedade, boa cidadania, começa em casa. Deve ser exercida, antes de ser cobrada.

É por isso que acredito tanto na Ordem DeMolay, que creio tanto no que temos feito. Me parece tão claro e límpido, que é mais fácil incutir esses valores na base da pirâmide, no início da caminhada de um ser humano, para mais tarde colher os frutos de uma sociedade mais qualificada. Estamos preparando aqui, não os adultos perfeitos, acima do bem e do mal, o bom garoto, mas o adulto capaz de raciocinar, interagir e dar o grande recado para os seus iguais, pela sua forma de ser e de agir, um agente social de valores sólidos.

(Continua após banner)
Quisera eu ter sido contemporâneo do grande arquiteto dessa idéia, nosso irmão maçom norte-americano Frank Sherman Land. Em tudo, em sua biografia irrepreensível, e nessa semente que plantou há quase 100 anos, percebo um visionário, um ser humano preocupado com o amanhã. E esse amanhã somos nós.

Receber a Legião de Honra, a mais alta honraria de nossa ordem, é para mim o reconhecimento de meus irmãos, de que enxergam em mim esses mesmos valores. O ideal do DeMolay que virou um agente participativo em sua sociedade e nela representa os valores que aqui dentro tanto cultuamos.
Não me sinto, com isso, mais especial, porém impelido a insistir nessa missão para com os que vêm depois de mim. Honrarias são representadas por diploma, que é papel e por medalha, que é metal. Não passam disso. Não são elas que fazem a pessoa, mas a pessoa é que deve conferir valor à honraria, é que deve fazê-la ter significado.

Neste ponto, não me considero um produto acabado, mas um ser em construção, um maçom, um filho de meus pais e herdeiro de minha terra, a quem devoto mais ainda meu suor, minha saúde, minha sanidade e meus ideais.
Trabalhar com os jovens é o maior prêmio que eu possa receber, pois percebo neles a cada dia a evolução para o homem de amanhã, a certeza e segurança de um país melhor para o nosso tempo.

Neste último período, no Grande Conselho do Pará, não posso deixar de enaltecer o trabalho que nossa equipe tem feito por uma ordem mais profissional e respeitada. Meu irmão Edrian Biagi, a constituição do nosso CNPJ, conta bancária e, agora, a luta pelo reconhecimento como entidade de Utilidade Pública, são um legado sem preço. Isso garantirá às futuras gestões, a tranqüilidade, a transparência administrativa e a possibilidade de firmar parcerias para engrandecer nossas atividades. Parabéns e obrigado por tudo o que tens construído. Você é um orgulho.

Meu irmão Paulo Henrique Ataíde, você pavimentou a estrada para a realidade que hoje vivemos, de poder cuidarmos nós mesmos dos nossos caminhos. Sua luta nos emancipou e você, pela força do exemplo, me despertou para novos desafios. Agora, ainda com você, mas de outra forma, você nos alça a sonhos maiores, um sonho do tamanho do Brasil. Sei que é possível chegarmos lá. Sua amizade e conceito me são caros. Obrigado, meu irmão.

Não posso deixar de citar os maçons que foram meus tutores e paradigma para a minha geração: Carlos Darwin, o saudoso tio Ruy Tupinambá Sampaio, Paulo Bosco Jadão e Benedito Macias.
Feliz que meus pais, quando eu ainda não tinha o poder do discernimento, tenham sido sensíveis em me permitir esse caminho e me apoiarem nas decisões que me tornaram um adulto seguro do que faz.

Encerro com um muito obrigado a Deus, aos meus pais, irmãos de sangue, minha namorada, irmãos por opção, maçons de minha loja, à Grande Loja Maçônica do Estado Pará, em especial mestre Wagner Spindola; meu irmão Couto, da Tribuna Maçônica, aos chevaliers que vieram de todo o estado, colegas de Grande Conselho (Pompeu, Panato, Pedrão, Linaldo, Ivo Moacir), demolays de meu capítulo, mães do Clube de Mães e amigos que me prestigiam.

Meus sobrinhos, lembrem-se desta noite e ao rememorarem, pensem no desafio que está neste pensamento de Miguel de Cervantes: “A liberdade é um dos dons mais preciosos que o céu deu aos homens. Nada a iguala, nem os tesouros que a terra encerra no seu seio, nem os que o mar guarda nos seus abismos. Pela liberdade, tanto quanto pela honra, pode e deve aventurar-se a nossa vida.
 

Faça parte da
Ordem DeMolay