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Edilson Araújo, Grão-Mestre da GLEPA
Publicado em 01 de Março de 2018
Edilson Araújo, Grão-Mestre.
Foto: GLEPA
Edilson Araújo dos Santos, tomou posse no mês de fevereiro no cargo de Grão-Mestre da Grande Loja Maçônica do Pará e tem a missão de substituir Wagner Spíndola, Legionário de Honra da Ordem DeMolay que até então ocupava o cargo de liderança máxima da Instituição. Edilson é casado, advogado e está na maçonaria desde 2001. Ocupou vários cargos de liderança no âmbito maçônico e na vida profissional, esteve por 18 anos no Tribunal de Ética e Disciplina da OAB/PA.
 
01. Nos conte um pouco da sua trajetória dentro da Grande Loja Maçônica do Pará.

Ingressei na maçonaria em 21 de setembro de 2001 e, em 2005 fui venerável de minha Loja mãe, por dois mandatos. Ingressei nos graus filosóficos em fevereiro de 2003 e em março de 2010, fui investido no Grau 33, tendo presidido todos os corpos filosóficos. Na Grande Loja, ingressei em 2008, no mandato do Irmão Nazareno Nogueira onde presidi, por seis anos e meio, o Tribunal Eleitoral Maçônico e o Supremo Tribunal de Justiça Maçônico. Em 2014 fui indicado para Primeiro Grande Vigilante, na gestão do Irmão Wagner Spindola, cargo em que fiquei até fevereiro de 2017, quando fui guindado a Grão-Mestre Adjunto, sempre dando de mim o que era possível em prol da Ordem.
 
02. Fale um pouco sobre seu cargo na instituição e o que ele representa e principais funções.

Ser Grão-Mestre é algo que todo maçom deve desejar. A ambição e a vaidade nesse sentido, só são condenáveis quando para se chegar ao objetivo se passa por cima de princípios éticos e morais. No meu caso, desde que me tornei Mestre Maçom desejei ser Grã-Mestre. Mas jamais coloquei esse desejo acima de meus princípios e do respeito que tenho por meus Irmãos. Declinei duas vezes de ser candidato, ao perceber que uma candidatura minha naquele momento nada somava para a Ordem, e ainda poderia ser motivo de divisão da Instituição, situação para a qual eu jamais contribuiria. Fui candidato no exato momento em que pude contar com o apoio das principais lideranças estaduais da Ordem. E o resultado foi a minha aclamação por 72 das 74 Lojas da Jurisdição.

Quanto as funções, devo dizer que o Grão-Mestre, além da questão administrativa tem que ter a consciência de que ele deve ser um elemento de união, com a tarefa primordial de agregar e harmonizar o conjunto de obreiros que compõem as Lojas da Jurisdição. Ressalvado o respeito, do qual não deve abrir mão, o Grão-Mestre tem o precípuo dever de ser um homem de concórdia, de tolerância e de capacidade de agregar. Esse é seu principal dever e rumo ao qual tentarei caminhar, buscando ser sereno o máximo possível, já que sereníssimo é muito difícil de ser.
 
03. Fale um pouco da sua ligação com a Ordem DeMolay.

Para ser bem sincero minha ligação com a Ordem DeMolay, até aqui, foi apenas de apoio sem qualquer participação mais estreita. Estive em algumas atividades e na medida do possível sempre contribui com a Ordem DeMolay, já tendo sido agraciado por três ou mais vezes com comendas de reconhecimento pelas minhas contribuições, que sempre fiz por entender a importância dessa Ordem para o crescimento da Maçonaria.

04. Você assumiu recentemente o cargo de Grão-Mestre da GLEPA, quais as principais metas de trabalho?
  
Fiz uma campanha voltada para o crescimento de nossa Ordem no Pará, qualitativa e quantitativamente, facilitando o ingresso de novos membros, por iniciação, readmissão, filiação e regularização. Meu primeiro passo nesse sentido foi reduzir as taxas para as modalidades de ingresso, algumas delas em até 95%.

Busco também resgatar as tradições maçônicas aos poucos abandonadas. Tenho também a pretensão de tentar melhorar o conteúdo das sessões maçônicas, muitas vezes limitadas à uma ritualística morta sem qualquer efeito prático, procurando transformar essa ritualística em objeto de formação de consciência espiritual, moral e política pois, ninguém pode ignorar que nossa ritualística está impregnada destes três elementos, faltando apenas identificarmos. Esse é o principal objetivo de minha administração.

Se eu conseguir pelo menos implantar essa iniciativa, terei realizado o sonho da minha vida. De ver uma maçonaria que não se limite às ações filantrópicas e beneficentes, mas uma maçonaria que passe a entender que para “tornar feliz a humanidade” não basta doar uma cesta básica por ano, ou um prato de sopa semanal para alguma instituição. Ao contrário, teremos que ter uma participação ativa na espera política, pois assim sempre foi a história de nossa Ordem e que, mesmos alguns tendo consciência disso, insistem em ser alheios a tudo que diga respeito a política, ignorando que todas as decisões que possam “tornar feliz a humanidade” se dá na esfera política da qual estamos cem por cento afastados.
 

Cerimônia de Posse da Grande Loja Maçônica do Estado do Pará
 
05. Para você, quais os principais desafios do cargo de Grão-Mestre?

Os principais desafios são implementar as mudança e alterações que entendo necessárias, principalmente aquelas de caráter filosóficos e doutrinárias. Não sou pretencioso ao ponto de achar que vou conseguir convencer os Irmãos que não é proibido discutir política na maçonaria. Se eu conseguir pelo menos que possamos discutir essa proibição já terei feito muito, pois a grande maioria dos Irmãos torce o rosto quando se fala em política, sem entender que tudo nesse mundo gira em torno da política e se pretendemos fazer alguma coisa em prol da humanidade temos que nos inserir na política ou não faremos nada.
 
06. Em relação ao momento atual do Brasil e o trabalho que a Ordem DeMolay realiza, qual sua mensagem para os jovens garotos que compõe nossas fileiras.
 
Vejo na Ordem DeMolay, o futuro do Brasil.

E fico muito feliz e entusiasmado ao constatar que os “meninos” já despertam para uma consciência política bem superior àquela observada nos maçons e isso é muito importante, pois ao fortalecermos a Ordem DeMolay, estaremos preparando maçons diferentes para o futuro.

A mensagem que deixo é a de que os jovem garotos de hoje devem cada vez mais se interessar pela política, claro que sem abandonar os princípios da Ordem DeMolay mas, e principalmente, mesclando esses princípios com aqueles voltados pera a defesa da sociedade, tarefa essa que não se faz sem se ocupar politicamente os espaços políticos que se nos apresentam atuando à margem e acima dos partidos, mais com uma posição política definida, com base em um programa que deve ser construído a partir dos interesses da sociedade na qual estamos inseridos. Somos vistos como uma vanguarda e precisamos justificar isso.
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