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Ricardo Martins, Presidente da Comissão Nacional da Ordem dos Escudeiros
Publicado em 25 de Março de 2019
Ricardo Martins, Presidente da Comissão Nacional da Ordem dos Escudeiros
Foto: SCODRFB
1. Fale um pouco sobre você, sua formação, profissão, família, jornada na Ordem DeMolay e na Maçonaria.   

Meu nome é Ricardo Cesar Martins, tenho 44 anos e sou médico urologista. Sou natural de São Paulo, mas moro em São Miguel do Oeste, Santa Catarina há quase 14 anos. Sou casado, pai do Bruno (Escudeiro) e Mariana (Jobie to bee). Fui iniciado, elevado e exaltado na Loja Maçônica Luz de São Miguel nº 3639 (GOB-SC). Embora tivesse comparecido a algumas reuniões do Capítulo de minha cidade (Raízes da Fronteira nº 93), só passei a me fazer frequente às reuniões do mesmo a partir de 2014. Fui Presidente do Conselho Consultivo em 2015, Oficial executivo para a Região Oeste do  GCESC em 2016/2017, e faço parte da Comissão Nacional da Ordem dos Escudeiros, presidindo-a na atual gestão.
 
2. Conte um pouco de sua experiência com a Ordem dos Escudeiros. 

Durante minha atuação como Presidente do Conselho, o Mestre Conselheiro da Gestão 2015/2 e o então Past Mestre Conselheiro que o antecedeu propuseram, durante o percurso de ida e volta ao CONAMESCO, a fundação de um Castelo de Escudeiros em nossa cidade. O Capítulo "comprou" a ideia e, ainda no segundo semestre de 2015, o Capítulo Raízes da Fronteira fundou e instalou o Castelo Escudeiros da Fronteira nº 73. Não posso deixar de citar a inestimável ajuda que recebemos do GCE e do DeMolay, Berward Eicke Jr., que na ocasião transmitiu-nos suas impressões e experiências junto à Ordem dos Escudeiros.
 
3. Quais as principais demandas da Comissão? Como é o trabalho da Comissão Nacional da Ordem dos Escudeiros?

As principais demandas são referentes à divulgação e padronização da Ordem dos Escudeiros. Ainda recebemos consultas (tickets, e-mails e WhatsApp) referentes a questões diversas, que tentamos responder o mais rápido possível, sendo que as questões que não são de nossa alçada também são rapidamente destinadas ao setor pertinente. Nossa Comissão possui membros de diversos estados, com larga experiência na Ordem DeMolay e na Ordem dos Escudeiros, e foi divida em subcomissões, de modo a tornar a resolução de demandas e projetos o mais fluida e dinâmica. 
 
4. Fale dos principais projetos da Comissão para 2019. 

Além de continuar a divulgação, padronização e fortalecimento da Ordem dos Escudeiros no Brasil, que posso afirmar ser nosso foco permanente, é da sugestão de que cada GCE tenha sua própria Comissão da Ordem dos Escudeiros para fins de eficiência, nossa Comissão trabalha em um projeto de apoio e formação do Preceptor, uma vez que entendemos que ele é fundamental para estabilidade e existência de um Castelo. O que pudemos constatar é que ainda não se deu conta da importância e dificuldade que é ser Preceptor de um Castelo, em alguns casos envolvendo mais conhecimento, estratégia, tato e jogo de cintura do que para ocupar outros cargos. Ser um Preceptor de sucesso é um dos maiores desafios que um DeMolay pode assumir, e a nossa Comissão decidiu por elaborar um plano de formação e apoio ao Preceptor, para que nossos Castelos sejam cada vez mais fortes e duradouros.
 
5. De forma resumida, quais os procedimentos para abertura de novos Castelos? Qual o custo? 

O processo é relativamente simples: um membro do Capítulo propõe a abertura, que é deliberada e aprovada numa reunião do Capítulo. O pedido e a documentação são enviadas ao GCE e acompanha os passos da fundação, intervindo ou orientando se necessário for. Obviamente, espera-se que o Capítulo disponha de candidatos à iniciação. Tão importante quanto tudo isso, é o Capítulo (todo ele) vestir a camisa de seu Castelo, com cada DeMolay e Maçom trabalhando pelo seu progresso assim como faz com seu Capítulo. Um Castelo só será forte, se sua retaguarda (Capítulo e Clube de Mães e Amigos) for presente e atuante. Quanto aos custos, literalmente, custo ZERO. Parafraseando um membro de nossa Comissão: "Fundou, levou".
 
6. Deixe algumas dicas de trabalhos que podem ser realizados pelos Castelos para fomentar as atividades junto aos Escudeiros
 
Em minha opinião, um Castelo coeso é aquele cujos membros têm a sensação de pertencimento e de cujas reuniões e encontros o Escudeiro sente falta. Parece simples mas, pessoalmente, acho que aí é que Preceptor pode mostrar e aprimorar tudo o que aprendeu na Ordem DeMolay. Espera-se que um Escudeiro exerça seu cargo com exatidão, respeitando as limitações de sua idade, porém, ritualística e oratória não são tudo num Castelo.

Creio ser muito difícil uma criança captar a essência da tríade Conhecimento-Verdade-Justiça. Frequentemente os próprios DeMolays não a percebem ou não a incorporam, tal como algumas vezes acontece com os ensinamentos da Ordem DeMolay. Assim, a minha dica é que o Preceptor tente cumprir a sugestão de uma reunião Ritualística mensal, com no máximo uma hora de duração, sem pegar pesado demais com os meninos, mas atentando-se em cumprir com exatidão o que é preconizado (viu como é difícil?), organizando então outras atividades, como passeios, visitações, atividades com seu Capítulo, de modo a estreitar os laços entre os Escudeiros, Clube de Mães e corpo patrocinador.

Desnecessário dizer que um Clube de Mães e Amigos participativo e apoiador é quase tão importante quanto a atuação do Preceptor para o sucesso da gestão e do Castelo.
 
7. Deixe uma mensagem para a Ordem DeMolay brasileira, principalmente para os Preceptores e Escudeiros. 

Caros DeMolays, receio ser repetitivo e chato, mas vocês não imaginam a importância e a nobreza do ato de fundar e manter um Castelo de Escudeiros. Não se trata simplesmente de incutir virtudes em um indivíduo ainda sem ou com poucos vícios, de modo a torná-lo um jovem melhor, com mais amizades sinceras, ciente de suas responsabilidades e, provavelmente, apto ao ingresso nas fileiras do Capítulo.

Em minha opinião, é muito mais que isso. Como dizia Joseph Campbell, a mudança pela qual nossa sociedade passou nos privou do Mito, nos privou do Herói. Anteriormente, o jovem passava por experiências, provas, ritos de passagem, que preparavam a criança para a maturidade e para adequá-la ao que a comunidade esperava de seus membros. Junto com o exemplo demonstrado pelos pais, família e comunidade, as estórias, lendas e mitos, ao mesmo tempo que tentavam explicar os por quês do mundo, apresentavam à criança as noções de moral e ética daquele grupo.

Em nossa sociedade atual, frequentemente os pais convivem menos com seus filhos (trabalham fora, e as crianças tem muitas atividades extra-classe), a família se reúne apenas algumas vezes (dispersão dos indivíduos). O núcleo familiar é constituído de poucos filhos (por questões financeiras), comumente apenas um; as crianças têm muitos brinquedos, mas poucas brincadeiras, geralmente solitárias, quando não fica permanentemente online ou no videogame. Perdeu-se o hábito de se contar estórias, não se almeja um modelo de virtude e de atitudes nobre, não existem mais heróis.

E, como cantava o KISS (,,/) "A world without heroes / is like a world without sun / you can't look up to anyone / without heroes..." (Um mundo sem heróis / é como um mundo sem sol / você não pode se inspirar em alguém / sem heróis...). Para mim, e fica então minha mensagem, aí reside a real função da Ordem dos Escudeiros: a transmissão de virtudes e de modelos de comportamento a crianças, por meio não só de um Ritual, mas principalmente pelo convívio e pelo exemplo.

DeMolays, sejam exemplo! Sejam literalmente Irmãos mais velhos, proporcionem essa experiência a um menino que talvez, de outra forma, não pudesse ter acesso a ela. Preceptores, muitas vezes nos esquecemos de que a Ordem DeMolay também prepara os jovens para serem líderes em seu meio. Encare esse desafio (talvez o maior em sua jornada DeMolay) com coragem e honradez. Preencha o lugar do Herói na mente de nossos Escudeiros.

E, finalmente, meus queridos Escudeiros, levem muito a sério o que for dito por sua família e por seus Irmãos da Ordem, sempre lembrando-se de seu juramento. O resto, acontecerá como mágica, acreditem. Tenham um ótimo ano!
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