29 de Setembro de 2020
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Rita de Cássia, mãe da Ordem DeMolay no Brasil
Publicado em 29 de Maio de 2013
Foto: Acervo pessoal
Como uma mãe para a Ordem DeMolay brasileira desde a ascensão do marido como Grande Mestre Nacional, Carlos Eduardo Braga, Rita de Cássia ou simplesmente “Tia Rita” é mais facilmente definida por ela mesma. Tanto que o DeMolay Brasil vai se furtar de descrevê-la. Deixou esse papel para a própria. A escolha dela para a entrevista do mês das mães serve para fechar as homenagens da Ordem DeMolay aquelas que dão muito de si para os jovens pés dos DeMolays e que, sempre, não pedem nada em troca.
 
Inserida na maçonaria desde cedo, costumo brincar: Nasci na maçonaria. Cresci acompanhando meu pai em suas atividades maçônicas, onde a família estava inserida. Sempre muito atuante; houve momentos dos quais não sabia se estava em família ou fazendo alguma atividade maçônica. Acompanhando essa trajetória, veio meu irmão Matheus e com ele pude conhecer a Ordem DeMolay, amor à primeira vista. Melhor dizendo amor aos primeiros contatos.
Envolvida por este sentimento, buscamos alguma organização paramaçônica que pudesse partilhar da mesma filosofia da Ordem DeMolay e nos deparamos com a Ordem Internacional das Filhas de Jó. O continuar dessa história já é totalmente previsível. Iniciei aos 17 anos; quando ativa pude galgar alguns cargos, atingi minha maioridade e continuo trabalhando pela causa. Em 2010, o Supremo Conselho Guardião me conferiu o Grau de Púrpura Real, honraria é similar a Legião de Honra DeMolay.
Nesta caminhada encontrei Carlos Eduardo, um apaixonado pela Ordem DeMolay. O amor descoberto anteriormente pela Ordem foi consolidado deste encontro. Tipo osmose! (risos) Tanto é que conseguimos marcar nossa geração! Originamos o nosso melhor; Maria Clara, Lucas Gabriel e sonhamos com suas histórias nas organizações paramaçônicas das quais seus genitores fazem parte.
 
Desde a época em que o Carlos Eduardo Braga foi o Grande Mestre Nacional, o Supremo Conselho teve a senhora como uma “mãe” da Ordem DeMolay brasileira. Como é essa sensação e essa responsabilidade?
Gigantesca, fascinante. Sinto-me muito honrada. A maternidade é uma dádiva. Ajudar um pequenino a desenvolver-se e a descobrir-se, tornando-se um adulto digno, é responsabilidade que Deus confere ao coração da mulher que se transforma em mãe. E toda mulher que se permite ser mãe, seja por geração biológica ou por aproximação humana descobre que o filho depende do seu amor e da segurança que ela transmite, é o melhor presente que Deus lhe deu.
Apesar de ser uma instituição exclusivamente masculina, a Ordem conta com o apoio de pessoas como a senhora. O que a motiva a colaborar com os DeMolays?
Não só pelo sentido filosófico, mas também pelos ensinamentos, pelas responsabilidades, pelo amor. O intuito de construir uma sociedade melhor, mais justa, mais fraterna, nos fascina. Honestamente, acredito que ações combinadas, integradas em projetos específicos que se destinam a estimular os jovens. Nesse contexto, somos responsáveis pelas sementes do amanhã. Por isso, somos semeadores e não podemos fugir da responsabilidade de semear. Não digamos que o solo é áspero, que chove frequentemente, que o sol queima ou que a semente não serve. Não é nossa função julgar a terra e o tempo. Nossa missão é semear. A semente é abundante! Um pensamento, um sorriso, uma promessa de alento, um aperto de mão, um conselho, um pouco de água, o diálogo, são sementes que germinam facilmente. Porém não deves semear descuidadamente, como quem cumpre uma missão desagradável! Semeemos com interesse, com amor, com atenção, como quem encontra nisso o motivo central de sua felicidade. Na verdade tem sido provado que pode-se prevenir, melhorar, fortificar, estruturar os jovens para que possam crescer mais aptos a enfrentar desafios e construírem porventura um mundo melhor, e não tenho dúvidas que a Ordem DeMolay é uma ferramenta fascinante para este crescimento.
 
A relação da senhora com a Ordem DeMolay vai além do padrão. Seu pai é um entusiasta, seu irmão é membro, assim como o seu marido, Past Grande Mestre Nacional Carlos Eduardo Braga. Como é ter a instituição tão presente no cotidiano?
Sinceramente afirmo que é difícil transcrever tal peculiaridade. É um privilégio viver nesta conexão familiar, com certeza o fato de ter crescido no seio da maçonaria me fez uma pessoa melhor, idem ao meu pai, meu irmão, meu marido, pois posso sentir a maçonaria sendo praticada diariamente em nossas vidas, e sem dúvidas, somos mais felizes em função disto, considero um presente divino.
 
Enquanto Filha de Jó, a senhora conhece o funcionamento das organizações paramaçônicas. Isso facilita a ter mais paciência para entender as peculiaridades da Organização?
Sim; contudo o amor deve prevalecer! Amor pela causa DeMolay, amor pelo seu parceiro, companheiro.  Pessoa com a qual você divide uma história, uma vivência. De nada adiantaria seguirmos um sonho se no decorrer da caminhada faltasse o amor. “Somos responsáveis por tudo o que acontece neste mundo. Com o amor e a força de nossa vontade, podemos mudar o nosso destino e o destino de muita gente.”
 
Existe uma lenda de que a maioria das mulheres que mantém vínculo com a Ordem DeMolay quer conhecer os “segredos” da Ordem – nos Estados Unidos há a permissão, mas não no Brasil. Como lidar com a curiosidade?
(risos) Curiosidade, parece fazer parte da vida feminina, isso não se pode negar! Contudo, o fato da junção família e maçonaria desde cedo não despertou em mim tal curiosidade. Entretanto, algo espetacular com o qual adquiri grandes ensinamentos foi o Hi, Dad!. A leitura do Hi, Dad! foi decisiva. Pude enriquecer o conhecimento sobre esta maravilhosa instituição, dinamizando o raciocínio e comungando do Universo do seu fundador, Dad Land. Asseguro que os apaixonados e porque não dizer os curiosos pela Ordem, independente de saber ou não dos “segredos” se tornarão ainda mais estimulados após essa leitura.
 
Mãe biológica de dois filhos, por adoção algumas centenas de DeMolays a respeitam como se fosse a própria mãe deles. Alguma mãe já reclamou ou pediu ajuda com os filhos?
Há 17 anos compartilhamos experiências, conheci mães encantadoras tão apaixonadas quanto eu pela causa DeMolay. Por minhas andanças encontrei mães agradecidas pela forma como a Ordem havia melhorado seus filhos, diversas outras mães que abraçaram a causa e fizeram a diferença em seu lar e nos capítulos de seus filhos. Saint Exupéry, descreve isso muito bem: Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Essas mães foram cativadas!
 
Há muito tempo a senhora conhece a Cerimônia das Flores. Já imaginou o dia em que Lucas Gabriel, seu filho, estiver apresentando a cerimônia? 
Confesso ser um momento ainda não imaginado! Sonho com sua iniciação, recebendo a rosa de suas mãos. Fazendo a Cerimônia das Flores; ainda não. Entretanto, esta Cerimônia possui um ensinamento tão intenso e profundo que só após a maternidade pude absorver por completo. 
 
Qual a mensagem que a senhora deixa para as milhares de mães de membros da Ordem DeMolay e dos jovens que podem vir a fazer parte de organização?
Que possamos ser Luz no caminho desta juventude. São Sete Luzes os modelos sobre os quais os DeMolays prometem basear suas vidas. A partir dessa consciência de serem guiados, eles aprendem a ser melhores filhos e melhores cidadãos. Daí a importância em não permitir que essas luzes se apaguem. Quando nos surpreendemos com a turbulência por que passa a humanidade e procuramos acender novas chamas na compreensão desse mundo em que vivemos, lançamos luzes sobre a realidade. É muito bom quando descobrimos uma luz acesa, ainda que pequenina, que pode nos nortear rumo ao nosso objetivo de sermos felizes e fazermos o mesmo àqueles que se encontram a nossa volta. Vivam a aventura de iluminar, de ser um ponto de luz no mundo. Acredito que isto é possível, pois acredito no que é ensinado pela Ordem DeMolay e, essa crença não só ilumina a minha vida como também ilumina a vida de muitas outras pessoas. “Se puder fazer essa luz brilhar sobre outra pessoa, se puder penetrar nas profundezas mais recônditas da sua alma e acender a chama que ali está então ai reside o objetivo da Ordem DeMolay.” 
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